E como nao podia ser diferente...
E como nao podia ser diferente, a indignação das pessoas por nao aceitar/compreender o diferente falou mais alto e as criticas vieram. Nao sei ate onde o Toscani é bom... as vezes fica explicito que sua única intenção é a de chocar e nao a de vender. Na maior parte das vezes o "choque" vem acompanhado do sucesso pois a publicidade é boa quando chama a atençao do publico. Uma campanha como essa da anorexia sem ter a da Benneton de bagagem seria suicidio. Mas o cara ja conseguiu uma vez provar que sua ideia de contrariar o mundo funciona entao nada me convence que essa será apenas mais uma campanha de sucesso e que muitos premios virão ao nosso mestre publicitario mais uma vez.
Segue a noticia da crítica e a defesa feita pelo "homi".
"Anoréxicas criticam campanha com modelo de 35 kg
Celeste López
"Estamos horrorizadas. Indignadas. Lutar contra a anorexia não é veicular a fotografia de uma mulher nua, com peso de 35 kg, emaciada, exibindo as chagas da herpes e literalmente às portas da morte. Lutar contra a anorexia é bem diferente disso, e muito mais sério. Aquela imagem é totalmente contraproducente e tem por objetivo apenas promover uma marca", diz a paciente Elizabeth Jiménez, 26 anos, que está hospitalizada no Instituto de Distúrbios Alimentares de Barcelona há três meses e não consegue ocultar sua indignação profunda diante da imagem de uma jovem anoréxica que o fotógrafo italiano Oliviero Toscani registrou para divulgar uma marca de roupas femininas, a No-l-ita.
O sentimento é comum entre os 40 pacientes (dos quais apenas um homem) que compartilham de sua ala no instituto e debateram o tema durante uma hora em uma das sessões de terapia conduzidas no centro. Elisabeth, de Alicante, sofre de anorexia desde os 18 anos de idade. Era atleta de competição, disputando torneios de taekowndo, e sua obsessão por perder "um pouco de peso" e poder competir na categoria 50 kg a conduziu à sua situação atual.
"Queria perder 3kg e terminei perdendo mais de 10. E não demorou muito para que eu passasse a desejar perder cada vez mais peso, até quase perder a vida". Ela garante que sofreu "imensamente" e que passou momentos "tão duros que, por mais que eu tente, não consigo explicar". E justo agora, quando se sente mais forte para encerrar em vitória sua luta contra a enfermidade, ela encontra "uma fotografia que me faz recordar toda aquela dor. O corpo dela me recorda tanto o estado em que o meu se encontrava, há apenas alguns meses".
A magreza extrema a forçou a deixar o esporte, e ela retomou os estudos. O perfeccionismo que caracteriza as pessoas que sofrem dessa doença a conduziu a um desempenho muito eficiente no curso universitário de administração e finanças, com ótimas notas ¿ "ninguém é mais exigente do que nós". Ela encontrou emprego em um banco, mas depois de apenas alguns meses se viu forçado a abandoná-lo. "Não consegui continuar. Estava pesando 35 kg (tem 1,63 m de altura), e passava o tempo todo enjoada; não conseguia nem mesmo manter uma conversa concentrada, ou ler. Foi um período de imensa angústia para mim".
Jiménez diz que não consegue compreender a modelo que posou para o anúncio, nem o fotógrafo que registrou as imagens e a marca que as está utilizando para fins de publicidade. E pela simples razão de que "isso não equivale a lutar contra a anorexia. Minhas companheiras e eu acreditamos que seja o contrário, aliás, e que o anúncio a fomente. As pessoas saudáveis decerto sentirão repulsa, mas posso garantir que, para uma mulher doente de anorexia, aquela imagem pode passar a representar um objetivo a ser atingido. Somos muito competitivas e, para nós, perder peso é um grande desafio".
Pergunto se para ela isso continua a ser verdade. "Não no meu caso pessoal, agora, porque já estou bem recuperada, ainda que seja necessário que eu mantenha a cautela. A mim, uma imagem como aquela só serve para causar dor".
Jiménez passou por diversas internações nas unidades de psiquiatria de um centro hospitalar. "Mas quando me internavam, eu ganhava peso, ou seja, o aspecto físico da enfermidade era tratado, mas não o psicológico", o que fazia com que ela passasse por recaídas depois de cada internação. Até que um dia ela terminou levada quase morta ao hospital, com pressão arterial perto do zero. "Daquela vez, achei que tudo tinha chegado ao fim".
Porque passou por tantas experiências dolorosas a esse ponto, ela está convencida de que a campanha da No-l-ita não ajuda em nada na luta contra a anorexia. Mas aprova iniciativas como a de proibir que modelos com peso abaixo de um mínimo desfilem profissionalmente nas passarelas. "Sei que é muito difícil compreender para pessoas que não sofram da mesma enfermidade que eu, mas o ponto é que se uma moça vê um vestido tamanho 32, fica obcecada por emagrecer a ponto de caber naquela roupa. O objetivo? Ficar o mais parecida possível com as modelos que desfilam aqueles trajes".
Jiménez acredita, mesmo assim, que estejam sendo dados passos positivos na luta contra os distúrbios de comportamento vinculados à alimentação. Ela acredita que todos os debates sobre a realidade dos tamanhos de roupa tenham feito com que os modelos à venda nas lojas de moda estejam mais adaptados ao corpo real das mulheres espanholas. Em sua opinião, isso ajuda "enormemente". Se não houver modelos tamanho 32, é improvável que uma jovem fique obcecada com a idéia de se enfiar em uma roupa que parece mais adequada a uma criança do que a um adulto.
Depois de três meses de internação no instituto, Jiménez, que vive em Alicante, agora está enfim preparada para voltar à vida cotidiana. De fato, já começou a fazê-lo, e está dormindo em sua casa todas as noites. "Eu já me recuperei, quanto ao peso. Mas a questão psicológica é coisa bastante diferente. Creio que esteja passando bem, mas é preciso avançar passo a passo", ela diz, com cautela.
Reconhece ter medo de voltar a enfrentar a questão da alimentação, fora do instituto, mas acredita que será capaz de superá-lo, em breve. "Aqui nos ensinam a viver com objetivos. Quero trabalhar, quero ser mãe...". O instituto atende, no momento, a 70 pacientes em seus dois centros de internação, a outros 50 em uma clínica diurna, a 20 outros pacientes em um centro de acompanhamento e a outros 30 por meio de consultas em seus três andares dedicados à terapia.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
La Vanguardia"
FONTE: Terra
"Toscani defende campanha com modelo anoréxica
Guilherme Aquino
Uma campanha publicitária que usa uma modelo anoréxica está roubando a cena na abertura da Semana Internacional da Moda de Milão. Os anúncios, expostos em jornais e outdoors italianos, mostram uma modelo nua sob os dizeres "No Anorexia" (Não Anorexia). A modelo é a jovem francesa Isabelle Caro, que pesa apenas 31 kg.
A campanha foi criada pelo italiano Oliviero Toscani, conhecido pelas polêmicas campanhas da Benetton nos anos 80 e 90 que usavam fotos abordando temas como aids, guerra e racismo. Em entrevista, Toscani defendeu a nova campanha, dizendo que, em contraste com o corrente no mundo da publicidade de moda, ela busca uma aproximação com a "condição humana".
"Toda a publicidade de moda e as revistas e os jornais de moda se afastaram dela, se tornaram abstratas, esvaziaram o ser humano. A gente olha essas campanhas e vemos o vazio, e dizemos a nós mesmo: essas pessoas são como garrafas vazias", diz Toscani.
A campanha, da griffe de moda Nolita, contou com o aval do Ministério da Saúde da Itália.
A luta contra a anorexia é uma das prioridades do governo do premier Romano Prodi. Hoje, cerca de 2 milhões de italianos sofrem da doença e de bulimia. A ministra da Saúde Lívia Turco afirmou, em nota oficial, que "uma iniciativa como esta é importante para abrir um canal de comunicação privilegiado com o público jovem, através de uma mensagem clara e capaz de chamar a responsabilidade para este drama".
Oliviero Toscani criou a campanha tendo em vista um público muito mais amplo do que os consumidores de moda. "A idéia não é uma campanha para o povo da moda, mas sim para quem olha para moda, para as meninas, as jovens, as estudantes, todos os públicos. O rei está nu", disse ele.
O fotógrafo, que já tinha abordado o tema em um filme que chegou a ser apresentado no festival de Locarno, acha que "a responsabilidade por este problema não é apenas do mundo da moda".
"Existem as mães, a família, a desilusão de quem não se identifica com a imagem projetada pela mídia. Uma garota vê uma foto de moda ou uma imagem da televisão e pensa consigo mesma: 'eu não poderia nunca ser assim', e assim tenta desaparecer, se auto-destruir, é um drama", afirmou Toscani.
Ele conta que não foi difícil encontrar uma menina anoréxica. "Eu a procurei como um diretor de cinema busca uma atriz para um filme." Mas vender roupa usando como imagem quem não tem como vesti-la não foi uma estratégia fácil de ser colocada no mercado. O principal jornal da Itália, o Corriere della Sera, se recusou a estampar a fotografia. A campanha também ficou longe das ruas da França, sendo vetada nos outdoors. "A justificativa era de que a imagem era imoral. Não somos, ainda, civilizados", afirmou Toscani.
Toscani acredita que, mesmo com a polêmica em torno da campanha, ela deve ter bons resultados.
"Acho que isso pode ser o começo de um novo ciclo de publicidade, vamos ver o que acontece. Não são tantos os clientes que possuem a coragem de fazer uma campanha como esta. Todos pensam que a comunicação publicitária deve ser falsa ou artificial, mas eu acho que se pode fazer algo interessante e tirar vantagens econômicas ao mesmo tempo", disse o fotógrafo.
BBC Brasil"
Fonte: Terra
Abaixo as famosas fotos da Benetton





Nenhum comentário:
Postar um comentário